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Moçambique precisará de criar cerca de 550 mil novos postos de trabalho por ano até 2030 para absorver os novos trabalhadores que entram no mercado, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). A instituição considera que a fraca capacidade de criação de emprego constitui um dos principais desafios estruturais da economia moçambicana.
O FMI assinala que mais de meio milhão de jovens entram anualmente no mercado de trabalho, num país com uma população jovem e em crescimento. Sem oportunidades suficientes de emprego produtivo, a pressão sobre os rendimentos e a redução da pobreza poderá manter-se elevada.
A informalidade domina o mercado de trabalho. Segundo o FMI, cerca de 95% dos empregos são informais, enquanto a agricultura emprega aproximadamente três quartos da população activa. O sector agrícola enfrenta, contudo, limitações relacionadas com produtividade, acesso a factores de produção e financiamento.
Ao mesmo tempo, a transformação económica tem favorecido actividades extractivas, particularmente os grandes projectos de gás natural liquefeito. O FMI observa que estes investimentos são intensivos em capital e oferecem oportunidades relativamente limitadas de emprego directo.
O relatório defende, por isso, uma economia mais diversificada e capaz de gerar emprego em maior escala, através do aumento da produtividade agrícola, do desenvolvimento da indústria, da melhoria do acesso ao financiamento e de condições mais favoráveis ao crescimento do sector privado.
A criação de emprego também está entre as prioridades do novo Quadro de Parceria do Banco Mundial para Moçambique, aprovado para o período 2026–2031. A estratégia concentra-se, entre outras áreas, no desenvolvimento de competências e no aumento dos empregos gerados pelo sector privado, sobretudo no agronegócio e no turismo.
Os 550 mil postos de trabalho não constituem uma meta anunciada pelo Governo. Trata-se de uma estimativa do FMI sobre o número de novos empregos que a economia precisará de gerar anualmente para acompanhar a entrada de novos trabalhadores no mercado até 2030.
O desafio coloca o emprego no centro da transformação económica de Moçambique. A questão passa não apenas por criar mais postos de trabalho, mas por aumentar a produtividade e ampliar as oportunidades de emprego formal e sustentável numa economia ainda fortemente dependente de actividades informais e agrícolas.
Fontes: Fundo Monetário Internacional, República de Moçambique: Questões Seleccionadas, 2026; Banco Mundial, Quadro de Parceria para Moçambique FY26–31, 2026.
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